sábado, 11 de junho de 2016

0 dias sem acidentes




Nas boas empresas a segurança do trabalho é tratada com seriedade. Nas multinacionais se um acidente acontece em uma unidade da China por exemplo, ele é repercutido negativamente em todas as outras unidades. Podendo até mesmo impactar o valor financeiro de alguns benefícios pagos aos funcionários. Nelas existe uma cultura de prevenção de acidentes. Departamentos de saúde segurança e meio ambiente desenvolvem regulamentos e fiscalizam a sua aplicação. As informações são insistentemente transmitidas a todos os funcionários. Estes são incentivados a multiplicar essa cultura e a questionar a execução de trabalhos quando percebem que são inseguros.

Não importa o motivo para tanta preocupação. Talvez para não perder produtividade, talvez para que essas empresas possam participar de fundos de investimentos mundiais cujos requisitos sejam a segurança ou talvez para evitar as multas aplicadas pelo ministério do trabalho. O que importa é que para as empresas sérias isso funciona. Por isso elas exibem em suas unidades, logo na entrada, uma placa informando a quantidade de dias trabalhados sem acidentes com afastamento.

Por outro lado os atos de violência em nosso país são tratados de forma bem menos organizada. Poderíamos chamar de assassinatos com afastamento. Eles ocorrem com tanta frequência que falta espaço no noticiário diário para reportar tanta tragédia. Existem até programas de TV específicos para noticiar as barbáries. E na maioria das vezes assistimos passivos a tudo isso. Sem mudar em nada o curso normal de nossas vidas. A menos que aconteça com alguém próximo a nós.

A nossa placa de acidentes, ou melhor, de assassinatos com afastamento nunca saiu do zero. Ela é zerada todos os dias. As empresas já passaram por momentos assim no início da industrialização, onde as condições de trabalho eram piores e os acidentes mais tolerados. Comparando com países como Canadá e Japão, onde a taxa anual de homicídio por 100 mil habitantes é menor que 2, tenho a sensação que eles evoluíram enquanto nós seguimos vivendo nas condições da revolução industrial. Sem saber o que fazer para mudar esse quadro.


Como acontece nas empresas, entendo que deveríamos ser impactados por cada crime ocorrido na grande organização que fazemos parte e chamamos de país. Quem sabe uma paralização geral no dia seguinte a cada ato violento ou um pronunciamento do presidente? Não sei. Mas deveria ser algo que nos causasse um incômodo. Assim seriamos forçados a trabalhar na solução da diminuição da violência no nosso país. 

sábado, 30 de abril de 2016

Die with your boots on


"Die with your boots on" é uma expressão inglesa que se refere a morrer enquanto está na ativa. Lutando. Em português seria algo como "morrer de botas". Implica que não se desistiu aguardando a morte chegar.

Fontes dizem que a origem vem do velho oeste americano do século 19. Se referia aos cowboys que morriam na batalha.

Trazendo para a realidade do mundo corporativo, vivemos hoje um momento de crise econômica. Muitas pessoas estão sendo demitidas. Pessoas próximas a nós. Isso cria um clima de insegurança e desânimo. Nessas horas os naturalmente pessimistas ganham força com seus discursos desanimadores. A produtividade cai e a criatividade necessária à condução das mudanças e das soluções não aparece. 

As pessoas vão para o trabalho imaginando que aquele poderá ser o dia da sua demissão. Acabam gastando seu tempo em rodas de fofoca esperando pela nova profecia do apocalipse. 

E tudo isso me lembra a música "Die with your boots on" do Iron Maiden! Se você vai morrer, morra com as botas! No campo de batalha! Procure alternativas para a sua vida e para a sua empresa. Esqueça as profecias. Você também é responsável por fazer elas acontecerem. As suas ações podem mudar tudo!

Não vem ao caso perguntar quando vai ser. Não vem ao caso procurar a quem culpar. Se for para acontecer vai acontecer. Por isso se mova, Estude. Trabalhe. Viva um dia de cada vez e faça seu melhor.

Deixo adiante o link para a letra e o video da canção que motivou o texto. Cos if you're gonna die...!

http://www.vagalume.com.br/iron-maiden/die-with-your-boots-on-traducao.html








sexta-feira, 8 de abril de 2016

A Carreira Técnica dos Atores



Como construir uma carreira técnica bem sucedida em uma organização? Para tentar elucidar essa questão fiz uma análise da condução da carreira de ator, que considero técnica e valorizada. Médicos, advogados, bons professores e orientadores acadêmicos, também são bons modelos de profissionais da área técnica valorizados.

Antes, seguem minhas percepções sobre as carreiras técnicas e gerenciais:

Carreira técnica: Salários menores, variação horizontal, evolução lenta, menos status, falta de conhecimento sobre as possibilidades da carreira, profissional acomodado, submisso.

Carreira gerencial: Maiores salários, crescimento rápido, evolução vertical na hierarquia organizacional, mais status, mais informações sobre como evoluir na carreira, profissional automotivado, líder.

Na carreira de ator, não me parece ser comum a busca por cargos gerenciais, como de superintendente, diretor, planejador ou coordenador dentro de uma emissora de TV por exemplo. Os atores são focados nas suas carreiras técnicas de interpretar e representar personagens. Buscam se aperfeiçoar tecnicamente para crescer nessa carreira assumindo diferentes papeis em filmes e novelas. São talvez mais importantes para a emissora de TV do que os próprios administradores. Da mesma forma acontece com os médicos, creio que a maioria busca exercer a medicina e não administrar hospitais.

No mundo coorporativo, por outro lado, não é raro encontrarmos profissionais com o dilema entre seguir a carreira técnica ou a gerencial. Profissionais da área técnica que deveriam passar seu tempo se especializando, contribuindo e desenvolvendo suas habilidades, acabam se dispersando em busca da carreira gerencial. Isso acontece devido ao conceito negativo que existe com relação à carreira técnica e que já foi descrito no início do meu texto.
Esse cenário é prejudicial ao profissional, que acaba tendo uma carreira mal sucedida, e à sociedade, que deixa de produzir conteúdo técnico e cientifico que podem melhorar a qualidade de vida da população.

Segue finalmente a análise da condução da carreira de ator que pode nortear de forma comportamental os profissionais da área técnica: Fazem bons relacionamentos, participam de eventos sociais, programas de televisão e entrevistas para se manter em evidencia e conseguir bons papeis. Buscam evoluir na carreira passando de atores coadjuvantes, com papeis menos importantes para atores com papeis mais desafiadores até finalmente se tornarem protagonistas. Possuem postura de liderança, influenciam e desenvolvem de atores mais novos. São ótimos comunicadores, pois, além de atuar, precisam explicar seus papeis em entrevistas e programas de TV. Se preocupam com a imagem e com as roupas que vestem.

Atores são, portanto técnicos valorizados que não passam o tempo todo preocupados em assumir cargos financeiros e administrativos dentro da emissora. Assim também deveriam ser os que optam pela carreira técnica dentro das empresas. Deveriam ambicionar o desenvolvimento profissional e serem valorizados tanto quanto alguém que administra o negócio. 

sábado, 11 de julho de 2015

A Empresa Perfeita


A empresa perfeita era enxuta e todos os funcionários sabiam exatamente qual era o seu papel dentro da organização. Nela trabalhavam somente pessoas motivadas e qualificadas para exercerem suas funções. O organograma era simples e funcional. Composto somente das áreas estritamente necessárias para o seu funcionamento, era conhecido e entendido por todos.

Os horários de entrada e de saída eram flexíveis. Era permitido sair no meio do expediente para acompanhar o filho no médico, fazer exames preventivos ou resolver problemas pessoais, pois as pessoas trabalhavam para cumprir metas e não para cumprir horário.  Dessa forma os resultados não eram comprometidos. Os gestores transmitiam feedbacks transparentes e sinceros. A conquista dos resultados eram comemoradas e celebradas até mesmo com remunerações extras e não somente com “um tapinha nas costas”.

As férias podiam ser gozadas da forma que quisessem no período que quisessem, ou seja, por 30 dias corridos ou distribuídas ao longo do ano. Sempre alinhando as necessidades da empresa com as necessidades da família.

Além dos benefícios comuns como planos de saúde, participação nos lucros e previdência privada, havia uma creche dentro da empresa para que as mães ou os pais pudessem manter seus filhos recém-nascidos próximos a eles. Também era disponibilizada alimentação gratuita o dia inteiro. Além disso, a empresa incentivava e facilitava a compra de suas próprias ações, tornando cada funcionário realmente dono do negócio.

Os funcionários eram promovidos por meio de procedimentos claros e objetivos. Os diálogos eram muito transparentes. Dessa forma, cada um sabia exatamente como e porque alguém havia subido de cargo. Assim, o progresso dos colegas era valorizado e servia de inspiração. Todos se sentiam felizes e confortáveis sabendo que alguém capacitado estava atuando em um cargo que trará resultados positivos para todos na organização. Os salários eram compatíveis com as necessidades das pessoas e do cargo. 

Havia um centro de treinamento que oferecia cursos de capacitação.  Nele todos podiam se inscrever quando quisessem para o curso que quisessem. Do faxineiro ao diretor. Eles não eram oferecidos apenas a um grupo restrito de privilegiados. Inclusive os próprios funcionários eram incentivados a ministrar os cursos para os quais eram capacitados.

Os funcionários eram responsáveis, comprometidos e cumpriam a maioria das suas metas. Quando viam que não iriam conseguir cumpri-las, informavam ao gestor antecipadamente. Dessa forma ele lhes fornecia os recursos necessários para o seu cumprimento.  Não faziam fofocas, não sentiam inveja, não conspiravam contra a empresa.  Pelo contrário, eram gratos pela função que ocupavam. Possuíam um grande nível de autoconhecimento. Refletiam sobre seus papeis no mundo e na empresa. Os seus objetivos profissionais eram alinhados com seus objetivos pessoais.

Havia uma rotatividade saudável na hierarquia. Dessa forma ninguém ficava estagnado na mesma função, a menos que quisesse. Pelo contrário, as pessoas assumiam cada vez mais responsabilidades dentro da organização à medida que iam acumulando experiência.

Os chefes eram admirados pelos subordinados. Eram modelos de sucesso. Pessoas inteligentes que conheciam muito bem o funcionamento da empresa e do mercado. Também eram fábricas de novos talentos. Habilidosos no processo de treinar e desenvolver pessoas, ajudando-as a alcançarem excelentes resultados para a empresa e para suas próprias vidas.

Havia cumplicidade e parceria entre as diferentes áreas. Apesar dos conflitos naturais e saudáveis que havia entre elas, uma ajudava a outra a cumprir suas metas. Entendiam que o resultado de uma área contribuía para o resultado de toda a organização.  Cada funcionário colocava os interesses da empresa e do grupo acima dos seus próprios interesses, possibilitando a formação de equipes de alta performance. 

O ambiente de trabalho era seguro, limpo e organizado. As ferramentas de trabalho mais modernas eram oferecidas aos funcionários de forma a agregar valor e agilidade às tarefas. Os processos e os sistemas eram simples e úteis. Todos os compreendiam. Eles ajudavam a manter a excelência da organização.


Finalmente, as demissões eram entendidas como o fim de um processo de parceria em que a empresa e o funcionário contribuíram para o desenvolvimento de ambos. Se a empresa tivesse que despedir ela informava claramente os motivos da demissão e ajudava o funcionário a encontrar um novo emprego. Ela pagava uma consultoria para sua recolocação no mercado de trabalho. Da mesma forma, se o funcionário tivesse pedisse demissão, ele informava a empresa antecipadamente para que ela pudesse se preparar. Porém esse processo não era traumático, pois o funcionário indicava para o seu lugar quem ele treinou enquanto estava empregado. 

sábado, 23 de maio de 2015

"Hoje eu sei só a mudança é permanente"


Guilherme era um pacato funcionário de uma grande empresa multinacional.  Trabalhava há quatro anos na mesma área. Era casado, possuía casa própria, projetos de construir uma casa maior e tinha planos de ter filhos em breve. Enfim, sua rotina era estável e bem definida. Mas nem sempre foi assim. 

Acostumado a grandes mudanças, morou em dez cidades diferentes sendo três delas em outros países. Saiu cedo de casa para estudar na Universidade. Os encontros e as despedidas eram constantes na sua vida. Atualmente se lembrava desse passado distante com alegria enquanto aproveitava a previsibilidade que a sua rotina lhe trazia.

Entretanto, por um golpe do destino, se encontrava novamente nas águas revoltas dos mares da mudança. Talvez a vida quisesse lembra-lo de que “só a mudança é permanente”.

Apesar da sua estabilidade, ainda transmitia para as pessoas, mesmo que inconscientemente, um discurso aberto à mudança e carregava estampado na sua imagem, por meio das suas historias, o perfil de alguém disposto a empreender novos desafios. Por isso, foi escalado para trabalhar em um projeto ambicioso em outra área com duração de mais de um ano.

Fez um bom trabalho, muitos contatos, acumulou uma experiência extraordinária nos campos prático e teórico, aumentou sua capacidade de resiliência e de lidar com grandes responsabilidades. Como consequência foi convidado para uma vaga nessa nova área.

Alegrou-se no início, pois seria uma oportunidade de mudar e crescer na carreira, visto que não via mais condições de progredir onde estava. Motivava-lhe também a possibilidade de liberar espaço para que seus companheiros de trabalho mais novos avançassem nas suas carreiras com a sua saída. É importante manter pessoas experientes. São os guardiões dos históricos dos erros e dos acertos. Com isso os mais novos não perdem tempo reinventar a roda e a empresa mantém sua excelência. Porém, deve haver também espaço para a rotatividade. Ela motiva as pessoas criando uma condição para o progresso e melhoria das suas condições atuais.

Finalmente, mais um item se somava aos fatores positivos da vaga, lhe permitiria mudar de atividade sem mudar de empresa. Ele leu nessas revistas especializadas em carreira que é ruim para a imagem do profissional ficar no mesmo emprego por mais de 5 anos. Passa a impressão de acomodação. Porém, para quem quer construir uma carreira sólida e não quer pular de galho em galho, mudar de setor dentro da mesma empresa é suficiente para afastar a imagem de acomodação.
O que Guilherme não contava era que a vaga seria para outra cidade. A alguns quilômetros de distância de onde morava com sua esposa e de onde tinha planos de construir raízes. Recusou e tentou voltar para sua antiga área. Porém como em um xeque-mate da vida real, ela foi tomada por uma crise sem precedentes.  Não havia mais espaço para ele lá. Seu antigo chefe lhe aconselhou a aceitar a nova vaga.


A partir de agora estará então de volta ao circuito, estrada, rodoviária, encontros e despedidas que ele tanto conhecia. Mas ele já não é mais o mesmo. A forma como atuará nesse ambiente será outra. Procurará um equilibro entre a adrenalina e a necessidade da mudança e a caretice e a escolha da estabilidade.  

domingo, 28 de dezembro de 2014

Diário de Obra



Mais um dia se inicia no canteiro de obras. Na entrada improvisada com uma guarita e dois portões, um para o acesso de pedestres e outro para o acesso de veículos, o vigia reclama da alta carga de trabalho logo pela manhã:

- "Tenho que fazer o crachá de duas pessoas, abrir o portão para a entrada de carros e ainda controlar o acesso dos pedestres. O computador está uma porcaria! Preciso de mais uma pessoa!"

Na reunião de DDS (diálogo diário de segurança), que é feita todos os dias antes dos operários iniciarem os trabalhos, um funcionário levanta a voz e reclama da comida do dia anterior. A técnica de segurança responde que a reclamação deve ser direcionada de forma organizada às pessoas realmente responsáveis. Mas não sei se ela foi compreendida. 

Depois de muitos meses é normal enjoar do tempero da comida. Na obra são servidas três refeições por dia, o café da manhã, almoço e o café da tarde. Se tiver turno da noite também é servido o jantar. 

O diálogo de segurança é importante para garantir que as regras de segurança, saúde e meio ambiente sejam atendidas. Com isso, diminui a ocorrência de acidentes.   

Um pouco depois, o faxineiro, preocupado com a ecologia, vê o cesto de lixo reciclável e comenta: 

- "Na lixeira está escrito bem grande PLÁSTICO e o camarada me joga uma casca de banana!" 

Além do faxineiro citado acima, trabalha na obra também o faxineiro Maxwell. Ele está tendo aulas com um dos técnicos de segurança para aprender a ler. Deixou a família no Piauí para trabalhar nas obras de São Paulo durante o período de entressafra da cana-de-açúcar. Seu objetivo é voltar para lá novamente na safra. Contou que lhe roubaram 200 "contos" por não saber ler. Disse que o colega foi ao banco depositar um envelope de dinheiro para sua esposa no caixa eletrônico. Depois recebeu uma ligação do próprio banco dizendo que o envelope estava em branco. Descoberto a falcatrua o colega disse que lhe daria 100 "contos", mas o faxineiro deixou para lá. Disse que iria considerar que gastou com bebedeira. Sendo que ele saía muito pouco do alojamento para evitar a tentação.

Enquanto uns fazem MBA, buscam experiências internacionais e estudam vários idiomas para romperem seus limites e alcançarem o desejado sucesso, outros ainda possuem como limitante o analfabetismo.  

Na hora do almoço os trabalhadores lotam seus pratos e enchem seus copos com um suco colorido e muito doce. Depois descansam acessando a internet nos seus celulares, jogando truco ou dormindo.   

Mais tarde se escuta de dentro do "contêiner", onde estão instalados os funcionários da área administrativa, o comprador com uma voz amigável fazer o primeiro contato com um fornecedor de equipamentos:

- "Boa tarde, tudo bom? Gostaria de falar com alguém da área comercial. Quero apresentar uma carta convite para adquirir um produto de vossa empresa".

Já é possível imaginar que após seis meses sua abordagem será diferente, mais ou menos assim:

- "Esse equipamento tinha que estar aqui ontem!! Eu já falei que dia 09 não é dia 10! Não vou pagar o aditivo do contrato..... Você já sabia desse custo..... Tinha que estar incluído....Vou cobrar multa por atraso....!!

Caminhando pela obra se escuta de longe o som do rádio de Rômulo. Um operário que trabalha o tempo inteiro escutando música evangélica no celular. É cego de um olho. Conta que foi de tanto apanhar do pai quando era criança. Diz que o perdoou, pois ele não sabia o que estava fazendo. 

No final do dia o técnico de segurança faz a sua última ronda. Ele é como um policial na obra. Fiscaliza se as normas estão sendo cumpridas. Encontra um grupo de funcionários trabalhando em cima de um muro sem o cinto de segurança. O diálogo transcorre mais ou menos assim:

- "Desce daí!! Não adianta colocar o cinto agora que eu vi que você estava sem cinto! Cadê o passaporte? Mostra! Passaporte vencido? Cadê a permissão de trabalho de vocês? Não tem? Cadê o selo permitindo o trabalho em altura? Não tem! Parem a atividade. Juntem as coisas todo mundo e me encontrem na área de convivência! da obra"!

E assim termina mais um dia. Em meio às estacas, aos blocos, ao concreto e das estruturas metálicas circulam as pessoas acumulando histórias e experiências de vida. 


sábado, 13 de dezembro de 2014

Os Vovôs do Rock'n Roll


Ver as lendas do Rock n' Roll subirem ao palco com mais de 70 anos de idade me faz refletir sobre a escolha certa da carreira. Será que um dia eles desejaram a aposentadoria? Parar de fazer shows, compor, ensaiar e gravar discos para curtir a família, viajar, descansar e tocar projetos pessoais? Pelo contrário, a impressão que eu tenho é que eles desejam morrer tocando, compondo, lançando discos, produzindo e criando.

Por outro lado, muitas pessoas trabalham a vida inteira sonhando com o esperado dia da aposentadoria. Trabalham  somente pelo dinheiro. Pelo sustento da família. Enquanto sonham com a vida que gostariam de ter. Tenho a impressão que isso acontece normalmente nos trabalhos onde mais se aperta parafuso do que se cria. E a atividade de apertar parafusos, não se aplica somente aos operadores braçais. Muitas pessoas com curso superior também passam a vida toda apertando parafusos metaforicamente falando. Ou seja, somente executam o que lhe pedem. Mesmo que diante de um computador. Não criam, não inspiram os outros e não são desafiados em seus trabalhos. Não constroem uma carreira pessoal, vivem à sombra das empresas onde trabalham.  

Me parece que essas pessoas tem uma visão deturpada do trabalho. Historicamente falando, isso pode estar relacionado com a escravidão, ou até mesmo com os traumas de filhos que viram seus pais saírem de casa infelizes para trabalhar somente pelo dinheiro. E também devido ao conceito de mais-valia, onde parte do valor da força de trabalho dispendida pelo trabalhador não é remunerada pelo patrão. Portanto ele é visto como uma coisa ruim. Que tira o seu tempo livre de ficar fazendo o que gosta e o substitui por atividades que não lhe agrada. Mas o que é liberdade senão o compromisso profundo com o que é melhor para você? 

E o que é trabalho então? Buscando rapidamente na internet encontrei que trabalho é "um conjunto de atividades realizadas, é o esforço feito por indivíduos, com o objetivo de atingir uma meta". E o que mais se encontra por aí são pessoas realizando trabalho para atingir as metas de outras pessoas. Por terem escolhido uma profissão que foi indicada pelos pais, pela televisão ou por parentes. Justamente por não saberem o que realmente querem. Mas essa meta não poderia ser a sua?

E nós simples mortais, não podemos trabalhar em algo onde desejemos morrer "tocando"? Exemplos de brasileiros que conseguiram isso são: Oscar Niemeyer, Ivo Pitanguy, Miguel Nicolelis, entre tantos outros engenheiros, empresários, padres e professores próximos a nós. Pessoas que  não são artistas mas mostram paixão pelo trabalho. Longe de desejarem que a aposentadoria chegue logo.  

Como encontrar então o trabalho que realmente te realize pela vida inteira? Eu não sei a resposta. Porém creio que ela passa por uma profunda reflexão do que é realmente importante para você. Por auto-conhecimento. Concluo esse artigo com o vídeo da música "Too Old to Rock'n Roll Too Young to Die" do Jethro Tull, uma crônica musical sobre alguém que se viu obrigado a se aposentar "trabalho" que tanto gostava!!